O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Quem não se lembra desta música soberba dos tempos em que fomos meninos? Hoje lembramo-nos de Abril pela revolução feita de música e de cravos. Relembrei passagens da minha juventude e apesar de alguma resistência senti-me vencida e retrocedi às apetitosas conversas, algumas pouco informadas, sobre política, cultura, valores, aconchegando-nos os serões de rubras discussões, profícuas divagações que nos ocupavam as madrugadas, libertando-nos de alguma rebeldia que, naturalmente, amordaçávamos precavidos pelo regime que nem sempre entendíamos.

            Esta vivência, para muitos dos actuais políticos, é quase um regresso à pré-história. O “antes do 25 de Abril” que tantas vezes adorna a retórica circunstancial de debates sem conclusões, não passa de uma alegoria a uma investigação pouco reflectida.

            A verdade nem sempre se confina aos livros deixando-se muito do que se aprende nas margens ou nos rodapés das páginas, em letrinha despercebida que não se reflecte na aprendizagem da vida, causando-nos a sensação de que muitos dos nossos representantes ainda pouco aprenderam com a vida.

            Na minha idade, as instituições do País, independentemente da orientação política, impõem o nosso respeito de portugueses. Mal comparando, é como estarmos sentados no banco do autocarro e entrar alguém cuja idade já não lhe permite viajar de pé deixando-nos em total indiferença, prosseguindo a viagem tranquilamente alheios.

            Não me parece que ficar agarrado às cadeiras depois do Presidente de Portugal ter discursado numa Assembleia da República nas comemorações da Revolução de Abril seja a mais adequada manifestação do desacordo ou da desaprova.

            Há valores que não se devem confundir com desamores.

            Esta minha visão pré-histórica das coisas vem do tempo em que “Abril em Portugal” era apenas o título de uma linda música que parecia querer adivinhar como neste País Abril floriu.

publicado por outraidade às 22:35
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De Transdisciplinar a 30 de Abril de 2008 às 17:48
Como sempre, um post inteligente.
De facto Abril floriu (mesmo se algumas flores estão agora um pouco fanadas...), Sou um "pessimista antropológico". Mas isso não me leva a não agir -- bem pelo contrário. Porque é actuando que se impedem males maiores. Por isso mesmo agi ANTES do 25 de Abril (e por isso paguei um preço que não foi baixo),
É verdade que o panorama actual comporta elementos desanimadores. E aí tenho (por muito que me custe...) que dar razão a Cavaco Silva.
Trabalhemos, pois, para que Abril não passe mesmo à pré-história e se mantenha actual.
Há valores que não podemos permitir que se percam! !

De outraidade a 30 de Abril de 2008 às 21:48
Pelo seu comentário vejo que percebe do que falo. Obrigada pelo apoio.


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