O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

 

De quando em vez dou comigo a tentar pensar em coisas mirabolantes para poder escrever sobre elas. Coisas que interessem aos outros, que lhes despertem outros sentimentos, que lhes afiem a curiosidade. Mas tudo parece tão prosaico, tão insignificante. Afinal nada se passa na minha vida de tão peculiar.

Mas, para variar, vou falar dos meus vizinhos.

Sim, de uns vizinhos muito especiais que aproveitaram o ninho deixado debaixo do alpendre desde o ano passado por outros locatários, limitando-se a particularizá-lo com algumas penas fofas que lhe enfeitam as bordas e, numa azáfama alvoraçante, passaram todo o fim de semana em voos rasantes, deixando-me na dúvida da evolução daquele enamoramento.

Os humanos que aparecem por ali causam-lhe estranheza. Nisso diferem bastante dos inquilinos do ano anterior que pouco ou nada se importavam com essa gente. Os receios obrigam-nos a movimentos incessantes de que não desistem, como suplicando “por favor saiam daí” e, em códigos que trocam entre si, soltam pios de sonoridades diferentes, agitando o meu prazer nas espreitadelas que lanço por entre as frestas das janelas, inebriada naqueles desvarios de harmonia, enredando-me na bisbilhotice daqueles dois seres que me dão lições de persistência e despejam nos meus silêncios algumas gotas de alegria.

Afinal sempre vamos ter mais herdeiros?!

No ano passado, um dos pequenotes era muito mandrião. A mãe dava-lhe lições de voo mas ele enfronhava-se no ninho preferindo esperar por umas migalhitas. A insistência aventurou-o a duas saídas que cessavam no parapeito da janela onde soltava frenéticos chamamentos que não comoviam ninguém. Um dia, lá se fez ao voo quando percebeu que a mãe não voltava, apesar de estar à sua espera numa árvore do fundo do quintal.

 

 

publicado por outraidade às 18:15
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De Transdisciplinar a 26 de Junho de 2008 às 16:35
Ainda bem que tira prazer de coisas "insignificantes"...

De outraidade a 27 de Junho de 2008 às 21:45
Porque há momentos em que se transformam em grandes coisas.

De Transdisciplinar a 30 de Junho de 2008 às 16:47
Caríssima OUTRAIDADE (aqui, que é um sítio público, não a trato pelo nome),
Em resposta ao seu recado no Orkut -- que muito me sensibilizou -- tentei, por duas vezes mandar-lhe um mail onde expressava a minha muito sincera gratidão pelo seu gesto. O computador recusou sempre o endereço. Entre a primeira recusa e a segunda até voltei ao Orkut para verificar se tinha havido algum erro meu no copia/cola. Mas não. Em desespero de causa escrevi-lhe uma mensagem no Orkut e, como não sei se a irá ver, deixo-lhe aqui agora esta nota, esperando que pelo menos esta chegue até si.
Bem-haja e receba as saudações muito afectuosas do José-Carlos

De outraidade a 1 de Julho de 2008 às 12:27
Antes de mais, muito obrigada pelo seu cuidado. Vou tentar enviar-lhe novamente o meu mail. Para além disso também pode usar o que vem no meu perfil.

De Transdisciplinar a 1 de Julho de 2008 às 17:40
Muito obrigado pelas suas respostas
No seu perfil não vem indicado nenhum email.
quanto ao endereço SAPO o computador continua a dar-mo como não válido.
Já registei o outro e logo à noite escreverei alguma coisa . Agora preciso de sair
Afectuosamente J-C

De do fundo de mim a 15 de Setembro de 2008 às 11:04
Curioso sobre os teus vizinhos, saio encantado com a tua poesia. Assim, não há vizinhos que não se encantem.

De outraidade a 15 de Setembro de 2008 às 12:34
É mesmo encantamento...tão banal, tão simples, tão lindo!


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