O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Quarta-feira, 02 de Julho de 2008

 

Já passava da meia noite. Encontros estranhos a esta hora numa cidade que se não conhece. O rosto pedia qualquer coisa mais para além do dinheiro.

“- Não vou negar, consumo heroína”.

Os olhos procuravam mais a minha afabilidade, embora não lhe fosse indiferente a minha carteira.

“- Não lhe minto, alguma coisa vai para a droga”.

A noite corria fresca, a iluminação era exígua perdendo toda a amplitude da expressão mas à face acudiam trejeitos de uma idade que não era a real – 33 anos.

“ – Vividos por aí”.

Nalguma utopia, entregava-me as suas origens, fazendo-me brilhar os olhos, ancorando-me na verdade de saber quem é.

“- Estou sozinho numa pensão paga pela segurança social ”.

Quase se despiu para me mostrar o corpo perdido no comichão.

“- Será sarna? Tenho medo que seja Sida”.

Ficaram compromissos sem juramentos porque nenhum de nós queria mentir.

“- Vou primeiro à farmácia”.

Ficou-lhe a liberdade de escolher entre poucas escolhas de vida. As palavras nem sempre batem ao mesmo ritmo do coração. Convenci-me que o nosso bateu alguns segundos em uníssono.

 

Não foi imaginada esta história. Antes fosse.

 

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publicado por outraidade às 16:07
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De Transdisciplinar a 2 de Julho de 2008 às 17:01
Sempre sensível...

De Transdisciplinar a 2 de Julho de 2008 às 17:02
Sempre sensível...

De outraidade a 2 de Julho de 2008 às 22:06
Como não? Ás vezes deparamo-nos com "casualidades" que nos tiram as dúvidas sobre algumas questões que, permanentemente, colocamos a propósito da nossa existência.

De Transdisciplinar a 3 de Julho de 2008 às 01:24
Certamente.

De SOUdadesdaquelegrupo a 14 de Julho de 2008 às 02:01
"(...) As palavras nem sempre batem ao mesmo ritmo do coração.(...)
É realmente assim, e "leva-as o vento e trá-las o pensamento!", não!?
Um regresso com novo olhar?
Uma outra perspectiva?
Ou um jorrar de outras emoções que os anos reprimiram?
É engraçado perceber que já não fogem...que já conseguem dialogar!
Sabe, sou como as ondas do mar, e hoje, como noutros dias, voltei... e iriei... irei... e voltarei num qualquer outro dia!
Hoje faço-o no intervalo do estudo, num momento de pausa e porque os amigos não se esquecem temo-los ao alcance de umas quantas teclas. Foi assim... que vim ver como estava! (E já vai longo o intervalo, há hora e meia que a leio)
E que vejo?
Está bem! Muito bem!
Alicerça-se a imagem de que... fez-lhe bem a nova etapa!
Mais tempo para a vida!
Mais tempo para a pena e assim deixar fluir coisas bonitas... (também gostei do que li no "Soviver", vai muito bem, belissima!. Quando sai o proximo? Já tem muito bom material, gostaria de ver outro!)
Mas esta prosa também é lindissima, todos sabemos que em verso, prosa séria ou sátira... é arte que lhe flui...
E os objectivos académicos? Fluem também?
Até um dia destes, por aí... ou por lá (onde se escrevem coisas sérias para outros lerem de outro modo)...

De outraidade a 14 de Julho de 2008 às 13:44
Que palavras tão próximas, tão perto de mim!
Foi como pedrinhas de sal num prato sem tempero.
Que conforto senti, que abraço!
Volte sempre. Eu ando por aqui.


De outraidade a 14 de Julho de 2008 às 14:08
Já agora, esqueci-me de lhe dizer que escolheu muito bem o nome de "SOUdades daquele grupo". Só poderia ser você!
Mas a talho de foice: como também sinto saudades!!!

De Ventania a 9 de Setembro de 2008 às 21:50
Enfrentar aquilo que tantas vezes tentamos ignorar, por comodismo (longe da vista, longe do coração), faz bem. Para domar a arrogância.


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