O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Segunda-feira, 17 de Abril de 2006

 

Ontem, num dos jornais das 20H00 de um canal televisivo, foi passada uma reportagem sobre o abandono dos idosos, a relutância em alguns aceitarem os lares e os maus tratos de que algumas vezes são vítimas.

Confesso-vos que senti alguma compressão sobretudo porque nos deparamos cada vez mais com esta certeza, a de que nem sempre tratamos da melhor forma a nossa gente, cuja idade foi avançando.

O apoio, genericamente, está a ser desenvolvido por instituições ligadas à Igreja Católica, à Misericórdia ou a particulares e o Estado via “lavando as mãos” com uns subsídios.

Numa povoação do interior, alguns destes idosos que ainda se mantinham nas suas casas, contaram a lenda do filho que levou o pai à montanha para o abandonar e para ele ali acabar os seus dias, tendo tido o “cuidado” de lhe levar uma manta para lhe proporcionar algum aconchego. O pai, rasgou a manta ao meio e deu uma metade ao filho para que, quando lhe acontecesse o mesmo estivesse prevenido, não fosse o filho dele nem uma manta lhe dar. Repartiu o que lhe restava e, pelo menos, isso dava-lhe a certeza que o seu filho encontraria, naquela metade, algum conforto.

A maior parte de nós tem esta lenda nas suas memórias, mas poucas vezes a contamos fazendo parte das histórias da nossa infância e ela vai longe.

Uma senhora que se encontra há anos num lar escreve os seus pensamentos e num dos seus escritos referia-se às visitas dos familiares. Dizia ela que às quatro horas se iam todos embora e sentia-se um enorme vazio mas eles tinham que ir tratar da sua vida e deixavam ali os idosos, terminando com a seguinte frase:  “já não há lugar para nós lá em casa”.

 Ficamos sem palavras!

Não... todos os comentários que me saltam da alma vão levar freio, porque pouco ou nada resolverão.

Algumas soluções passarão muito mais pela mudança de atitudes, com gestos. E quando falo em gestos, falo em manifestação concreta de solidariedade, não material. Será que não temos isso ao nosso alcance?

Poderia levantar aqui inúmeras sugestões mas certamente não faltam ideias e, às vezes, não precisamos de ir muito longe para as por em prática. 

Mesmo que o nosso gesto possa parecer pequeno é qualquer coisa.

 

publicado por outraidade às 12:36
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