O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

Também gosto de fado, das guitarras dos sons trinados lançados aos nossos ouvidos, enchendo-nos a alma deste sentir português, conferido pelas vozes que ondulam as palavras num diálogo estendido ou breve, pondo-nos a nossa mais profunda sensibilidade repleta de uma miscelânea inigualável entre influências  árabes e africanas.

Mas deste fado sabemos nós ou, pelo menos, deixa rasto além fronteiras, nos sete cantos do mundo do Ocidente ao Oriente. É como o futebol que, à parte os gostos e os desgostos, brota de nomes  internacionais que põem este pequeno País nos recantos do planeta.

Mas há outro fado, cuja melodia não reconhecemos que é esta lamúria constante da nossa miséria.

Se daqui a 44 anos seremos o País mais pobre da Europa, esgotamos todas as nossas capacidades, desperdiçamos potencialidades, ignoramos a nossa competitividade, prostrando-nos numa senilidade irrecuperável.

Este fado, mais enfado do que fado, parece ser um fardo dos nossos herdeiros, da geração que criámos e em que acreditamos,  dos nossos filhos, netos, bisnetos.

A treta da crise mundial já não pega. Os outros países também a sentem e viram-se, apesar de terem aproveitado melhor os últimos tempos, enquanto nós andámos a embalar-nos ao som de arautos despudorados. Temos investidores que desinvestem, empresários que desempregam, deputados que se disputam, ideologias sem ideal, responsabilidades sem resposta. Nós, por cá, todos bem empacotados pelo fado e pelo futebol, percorrendo as voltas do nosso umbigo, mais interessados nas picadelas das pulgas do cão e do gato, precisando urgentemente das férias que se aproximam, apesar da infelicidade de não podermos ir ao Brasil...

Ficaram-se algures esses peitos guerreiros de Sertório e Viriato, a abnegação de Filipa de Vilhena ou a impetuosidade da Padeira de Aljubarrota e sentimo-nos dominados (não pelos espanhóis) pela nossa própria descrença, coçando-nos no glorioso passado histórico que quase renegamos, desaproveitando a simbologia das cores da nossa bandeira que já só empunhamos (depois de picados) nos grandes acontecimentos futebolísticos passados e ...provavelmente os que se avizinham.

Arre, que é demais! E continuamos à espera? Não arregaçamos as mangas? Não conseguimos dar a volta a esta lastimosa postura de “coitadinhos”? 

Nem a propósito, recebi um mail com referência às atitudes dos cidadãos dos países prósperos e perguntei a mim mesma até que ponto perfilhava estes “mandamentos” que partilho convosco: ÉTICA, INTEGRIDADE, RESPONSABILIDADE, RESPEITO, TRABALHO, POUPANÇA, INVESTIMENTO,  “SUPERAÇÃO”,  PONTUALIDADE.

A resposta será a nossa ATITUDE.  

  

publicado por outraidade às 13:35
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Maio 2006
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26

28
29
30
31


Últ. comentários
A Nicotina Magazine e a Nicotina Editores estão a ...
Apenas é um espaço onde se pode encontrar almas gé...
Como leitor assíduo do teu Blog e vice-versa e de...
Obrigada. Para sim também.
Sim, concordo consigo, dá que pensar.
Talvez procuremos apenas atenção, a que não temos ...
Temos que ir mudando para não deixarmos que o mofo...
Gosto do novo look. Poético, suave e primaveril, c...
Muito sentido, ainda hoje que já passaram alguns ...

blogs SAPO


Universidade de Aveiro