O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Quinta-feira, 06 de Julho de 2006

Hoje quero apenas deixar um desabafo, parte de um poema que dediquei à minha mãe.

 

Mãe morreste.

Não me agrada esta palavra

mas não encontro outra para a morte.

Todos os dias te vejo num poema

de palavras sem rima, de versos sem mote.

                          (…)

Espero-te nos mesmos lugares

não te encontro e vou ficando

derrubada no desespero,

desacreditada noutra existência.

Como é intensa esta pertença

que deixou de ser física,

que não tem matéria,

que se tornou etérea.

Sublimo os gestos nas flores

que teimo em te levar,

não sei se me satisfaço

nem sei mesmo porque o faço.

                          (…)

Obrigo-me a acreditar

que te vou encontrar

num outro espaço de amor

onde se alivia esta dor

                          e nesta ilusão adormeço.

                         (…)

Espalho o meu pensamento,

Em curtas rajadas de vento

  Como se todas as palavras

  ficassem nas cinzas dos nadas

que vou pintando de azul.

Tempero-as com o silêncio

que não te fez eternar

deixei-te ir, deixei-te levar,

vencida pelo adeus

que nunca te quisera dar.

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publicado por outraidade às 18:17
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