O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Se se quer ser considerado neste País ou se é engenheiro ou doutor, os outros nada são. Esta modinha que se instalou há muitos anos e que é reveladora da nossa pouca dimensão mental. De repente, a propósito de um certo diploma ou título, a “telenovela” instalou-se em Portugal. Eu, muito sinceramente, estando-me nas tintas para questão do diploma em si, fiquei seriamente preocupada com o comportamento de todos os intervenientes audíveis nos últimos tempos. Deixei correr as águas até que me parece que a comporta se fechou, questionando-me se afinal não passou de uma ameaça ou se andamos emaranhados num novelo mal dobado e pior fiado. Tudo foi mal engendrado e o pior é o atrevimento de se lançarem as achas e depois nem fogo, nem fumo. Qual Carolina, qual quê! Isto consegue superar todos estes best-sellers da literatura nacional.

Afinal todos ficamos foi com uma certeza: a partir de agora os deputados da Assembleia da República vão começar a tratar-se por “Senhor licenciado” (digo eu) ou, talvez não porque afinal a questão só tem a ver com os engenheiros, não com os doutores.

Não deveriam tratar-se pelo que fazem ou é pouco conveniente?

 “É a sua vez Sr. Deputado, advogado, administrador, presidente de associação, gestor, conferencista” – diria o Ex.mo Presidente da A.R .

“- Perdão Sr. Presidente, não poderei intervir porque V.Exª não referiu a minha qualidade de escritor e, como tal, a minha dignidade sente-se posta em causa,  já que não posso deixar passar em claro aquela que considero uma das minhas formas de maior intervenção social, atendendo à temática das obras que tenho publicado”.

“- Ora, não querem lá ver este (pensa logo o do lado) e eu que até fiz programas na televisão para ensinar aos portugueses a língua portuguesa”.

“- E eu que me farto de trabalhar, para além das minhas funções camarárias, de presidente da Sociedade Cultural e Recreativa, nos bombeiros, as inaugurações, nada disto conta?”

“- Ora, grande coisa e eu que até j á teatro fiz, mas não um teatro qualquer, teatro e de qualidade.”

“- Ó menina, palcos é comigo, nada de imitações”.

O "bruá" era tal que alguém ….

“- Ó ricos acalmem-se, em eventos sociais sou o primeiro e tenho muita honra nisso A idade é que já nem sempre me permite mas cheguei a ter um clube de fãs”.

Bom porque hoje é o dia do livro, brinquei um pouco com a realidade que temos. E nós, portugueses que, até temos bons escritores, perdemo-nos a ver estas novelas da vida real em horários nobres das televisões, porque imaginação é coisa que não nos falta "idiotizadas ” por engenheiros e doutores, melhor dizendo, afinal licenciados.   

publicado por outraidade às 11:11
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