O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Sábado, 27 de Maio de 2006

Tenho andado um pouco arredada mas não esquecida. Facto é que este canto precisa de algum sossego, algum aconchego que aqui venho buscar como se estivesse a falar com um amigo. E acredito que servirá se não para muitos, pelo menos para alguns que, ainda que sem me darem ecos, aqui se encostam e descansam alguns segundos. Também não exijo muito mais.

Há uns dias alguém me fez pensar que era preciso começar a agir, a por em prática algumas ideias que ajudem a tornar a vida dos outros menos amarga, menos solitária. E, na minha poesia de vida, eu acredito sinceramente que pequenos nadas podem transformar os dias de alguém que está só, que vive só, que tem outra idade onde a insegurança aparece, em que o abandono é uma realidade.

Pequenos nadas, dizia eu, sim pequenos nadas mas grandes coisas para quem os receber. Por exemplo, tomar um café com alguém, acompanhá-lo a ver as montras, ir ao cinema, jogar às cartas, mostrar-lhe novas tecnologias, passear num jardim, acolhê-lo na noite de Natal, conversar um pouco...eu sei lá que mais, tão simples de por em prática. Pensem um pouco, atrevam-se e arrisquem sugestões, ajudem-me a pensar como aliviar um pouco o dia a dia daqueles que, pela sua idade, se refugiam em casa e se deslembram que, fora de portas, há uma vida da qual ainda podem partilhar. Cada vez mais encontramos estas situações não só porque a nossa sociedade está a atingir maiores tempos de vida, mas porque o anonimato é uma realidade das grandes comunidades urbanas.

 

publicado por outraidade às 12:24

Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

Também gosto de fado, das guitarras dos sons trinados lançados aos nossos ouvidos, enchendo-nos a alma deste sentir português, conferido pelas vozes que ondulam as palavras num diálogo estendido ou breve, pondo-nos a nossa mais profunda sensibilidade repleta de uma miscelânea inigualável entre influências  árabes e africanas.

Mas deste fado sabemos nós ou, pelo menos, deixa rasto além fronteiras, nos sete cantos do mundo do Ocidente ao Oriente. É como o futebol que, à parte os gostos e os desgostos, brota de nomes  internacionais que põem este pequeno País nos recantos do planeta.

Mas há outro fado, cuja melodia não reconhecemos que é esta lamúria constante da nossa miséria.

Se daqui a 44 anos seremos o País mais pobre da Europa, esgotamos todas as nossas capacidades, desperdiçamos potencialidades, ignoramos a nossa competitividade, prostrando-nos numa senilidade irrecuperável.

Este fado, mais enfado do que fado, parece ser um fardo dos nossos herdeiros, da geração que criámos e em que acreditamos,  dos nossos filhos, netos, bisnetos.

A treta da crise mundial já não pega. Os outros países também a sentem e viram-se, apesar de terem aproveitado melhor os últimos tempos, enquanto nós andámos a embalar-nos ao som de arautos despudorados. Temos investidores que desinvestem, empresários que desempregam, deputados que se disputam, ideologias sem ideal, responsabilidades sem resposta. Nós, por cá, todos bem empacotados pelo fado e pelo futebol, percorrendo as voltas do nosso umbigo, mais interessados nas picadelas das pulgas do cão e do gato, precisando urgentemente das férias que se aproximam, apesar da infelicidade de não podermos ir ao Brasil...

Ficaram-se algures esses peitos guerreiros de Sertório e Viriato, a abnegação de Filipa de Vilhena ou a impetuosidade da Padeira de Aljubarrota e sentimo-nos dominados (não pelos espanhóis) pela nossa própria descrença, coçando-nos no glorioso passado histórico que quase renegamos, desaproveitando a simbologia das cores da nossa bandeira que já só empunhamos (depois de picados) nos grandes acontecimentos futebolísticos passados e ...provavelmente os que se avizinham.

Arre, que é demais! E continuamos à espera? Não arregaçamos as mangas? Não conseguimos dar a volta a esta lastimosa postura de “coitadinhos”? 

Nem a propósito, recebi um mail com referência às atitudes dos cidadãos dos países prósperos e perguntei a mim mesma até que ponto perfilhava estes “mandamentos” que partilho convosco: ÉTICA, INTEGRIDADE, RESPONSABILIDADE, RESPEITO, TRABALHO, POUPANÇA, INVESTIMENTO,  “SUPERAÇÃO”,  PONTUALIDADE.

A resposta será a nossa ATITUDE.  

  

publicado por outraidade às 13:35

Terça-feira, 02 de Maio de 2006

Não sei se terei fé para tanto ou se a tenho e não a vejo encontrando-se numa outra dimensão a que o meu esclarecimento não tem o dom de chegar. Às vezes, pergunto se a missão em que acredito não é uma forma de fé.

Todos temos uma jornada para cumprir que se alonga mais ou menos tempo, conforme a nossa capacidade para a levar ao fim. Esse fim está normalmente associado à tristeza porque nos falta a sabedoria de encontrarmos nele a espiritualidade da plenitude da vida.

A razão de sermos é a vida, é a luta que diariamente nos move, são os projectos que vamos traçando, as obras que acabamos mesmo quando, nem sempre, o realizamos da melhor maneira ou da forma  ideal. Cada um segue os seus caminhos, que vai traçando e percorrendo com as escolhas que tem pela frente, nem sempre fáceis, nem sempre agradáveis.

Afinal somos missionários, não no sentido de evangelizadores mas no de espalharmos qualquer coisa neste mundo, no de termos o dever de viver, de cumprir a nossa tarefa, mesmo quando o fazemos erradamente ou por atalhos que desprendem amargura.

Normalmente, a tendência é para nos lamentarmos, para vermos a felicidade dos outros, sentindo-nos perdidos nas nossas encruzilhadas sem sabermos para onde ir e como ir.

Mas vamos e talvez fosse tudo mais fácil se fossemos admitindo que, depois de um acto espera-nos outro, encarando isto com a normalidade que nos falta para acreditar que o sentido de viver está exactamente nessa missão que cumprimos com maior ou menor entrega. Nada acontece por acaso ou vindo do nada. Existe uma razão para ser assim, que mais não seja aquela que não temos talento para atingir mas que nos é dado talento para enfrentar.

 

 

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publicado por outraidade às 13:39

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