O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Passamos pela idade dos porquês mas não deixamos de ter dúvidas. Esta idade de outra idade em que os ses se ignoram pela tranquilidade da consciência de que existe uma outra inocência que fomos roubando ao tempo. A sabedoria recatada desenha melancolia no olhar que se consola nas insignificâncias da vida porque os anos passados são passado, o presente torna-se mais permanente e o futuro é já depois. Os degraus sobem-se lentamente na razão de vivências que foram diferentes sem a inteireza de que se morre definitivamente.

O sangue ferve para dentro, as lágrimas são mais silenciosas e as mãos aquecem-se uma na outra.

Sem porquês mas com muitas incertezas, por outros que não por nós, que nos estreitam o peito fazendo parte de sonhos que não nos deixam dormir.

Talvez tenha de ser assim para continuarmos a acreditar que o futuro ainda vem longe e é nele que está a cadeira do nosso repouso.

publicado por outraidade às 18:36

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Sempre achei curiosa a forma como a senhora era libertina na sua forma de falar. Pensava eu que o estatuto que atingira e uma certa comodidade na vida lhe faziam sentir esse direito, o que me metia alguma inveja, confesso.

Devido aos seus 50 anos de carreira, as entrevistas têm aparecido com maior frequência e concluo que não tem comodidade nenhuma porque se a tivesse não continuava a falar assim. O status que alcançou  maior valor confere às suas intervenções porque não se refugia nele, antes o utiliza inteligentemente e tão dignamente que qualquer mulher sente, perdoe-me minha senhora, uma enorme vontade de ter a possibilidade de vir um dia a ser assim. As palavras são iguais para todos mas não é igual a forma como se empregam e a força que se lhes dá. Muito mais quando se dizem com a serenidade de quem sabe viver.

Nas fotografias dos seus 70 anos de idade que bonita! A forma como exibe as suas rugas conferem-lhe o charme que só é possível numa forte personalidade.

Tem-se vindo a dar muito registo ao facto de ter cantado a frase “quem faz um filho fá-lo por gosto” mas isso fica muito aquém de tantas outras expressões que não teve receio de dizer publicamente. Aqui, muito humildemente, a cumprimento sabendo que as minhas palavras se tornam demasiado simples.

 

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publicado por outraidade às 21:25

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

A sensação com que se fica depois de ouvir todas as supostas “promiscuidades” das figuras políticas deste País, é de alguma náusea, de alguma repugnância, de falta dos mais básicos valores que sustentam uma sociedade. Não se podem aceitar justificações de que noutros países é bem pior porque cada um vive na sua dimensão. Mas é, de facto, indigno vir publicamente em defesas que mais não são do que as artimanhas verbais. A honorabilidade deixou de ter significado que é como quem diz, em português de rua, a vergonha nas bentas. Essa é a grande diferença das sociedades, tê-la ou não. Qualquer cidadão como eu que já não precisa de se esfalfar para justificar o que ganha ao fim do mês,  ou se eremita num canto por aí e faz dali a sua realidade ou todos os dias sofre de azia por não conseguir digerir as sobremesas rabudas que  vão sendo servidas em cada entrevista da noite.

Eu não quero falar de ninguém em particular mas de todos os que, nos últimos tempos, nos tiram a pouca ilusão que conservava a réstia de esperança necessária a qualquer ser humano para poder acatar o futuro com alguma quietude.

Há uns tempos, numa viagem pela Índia, perguntava-me como era possível ver naqueles rostos sentados à beira da estrada a serenidade contemplativa das assimetrias quotidianas. A explicação espiritual foi aceitável, bem diferente de compreendida.

Em Portugal não encontro espiritualidade, muito menos  serenidade.

Em Portugal não existe vergonha.

O sentimento de vergonha é uma condição psicológica e uma forma de controle religioso, político, judicial e social. É um dos pilares da socialização que conduz à auto punição, à consciência da culpa.

Depois disto o que sentirão aqueles que, ao fim do mês, na sua reforma verificam que o esforço do governo se traduz em 4 ou 6 Euros e que já não vão ao mini-mercado da esquina pedir fiado por vergonha?

 

publicado por outraidade às 21:36

Quarta-feira, 06 de Fevereiro de 2008

A confissão de um director é relevante. O Sr. Director da PJ confessou. Admitiu que a sua “empresa” não vai bem e que os seus funcionários não desempenharam bem as suas funções ou, como diz, precipitaram-se. O Sr. Director falou como se estivesse noutra, como se não fosse o máximo responsável, como se os funcionários que dele dependem andassem numa “roda livre” a brincar às investigações, pondo em risco as vidas dos cidadãos. O Sr. Director falou como se tivesse tomado, em devido tempo, posição contrária e, por quaisquer razões, viu-se impedido de, de pleno direito exercer as funções que lhe foram confiadas.Lavou as mãos como Pilatos e crucificou a instituição que dirige. Mas quem o impediu de exercer o seu cargo? Ou será que se esqueceu que é director? O senhor jurou solenemente por sua honra, o que, no mínimo, nos faria crer que, de alma e coração estaria a dirigir uma instituição que tem merecido a confiança do povo português. Quem é que afinal se precipitou, eles ou o senhor?

É caso único alguém com tamanha responsabilidade vir assassinar a sua dama em plena praça e, fazê-lo com a mesma indiferença com que o faria alguém que nunca a amou.

publicado por outraidade às 18:55

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