O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

A notícia é dada pela SIC.

Um grupo de crianças de uma pequena aldeia do Vietname, para alcançarem a escola, sujeitam-se a atravessar uma forte corrente de rio. Serenamente, atravessam a nado com os materiais escolares e vestuário dentro de sacos de plástico. Na outra margem fica a escola.

Para nós, europeus, quase entendemos isto como violência. Eles, asiáticos, entendem isto como um dever.

Para nós, europeus, quase condenamos aqueles pais que sujeitam os filhos ao perigo. Para eles, asiáticos, é uma vitória todos os dias.

Para nós, europeus, nem tanto seria preciso para a desistência. Para eles, asiáticos, trata-se de uma luta diária que não deixam de travar.

De forma alguma, aquelas crianças deveriam ter menos direitos que as nossas crianças. De forma alguma, nos regozijamos por coisas destas acontecerem no mundo moderno.

Mas faz-nos pensar.

Como hoje, nesta nossa sociedade desenvolvida, desperdiçamos tantos benefícios e tanto exigimos sem nenhum exercício de consciência.

Não teremos ainda a educação modelar, o apoio ideal, a escola perfeita. Certo que não.

E teremos a socialização responsável, a família equilibrada, os pais exemplares, os educadores convictos?

Por certo que não.

As nossas crianças não atravessam correntes turbulentas de um rio como aquelas crianças do Vietname.

Mas atravessam violentos caudais de desequilibradas estruturas sociais cujos riscos futuros são incalculáveis.

 

 

 

 

 

 

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publicado por outraidade às 16:21

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

 

Recebi uma mensagem com diversos pensamentos de Rubem Alves. Fixei-me essencialmente num que dizia “educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu”. Fiquei a pensar como nos perdemos em conceitos tão rebuscados quando falamos de educação quando afinal tudo parece poder sintetizar-se tão simplesmente. Não digo facilmente porque, raras vezes, simples e fácil são sinónimos. Talvez tenhamos, desde há uns largos anos, erradamente, enveredado por este caminho cómodo da vida, ou seja, da educação e cuidamos domá-la por devaneios de homens e mulheres que, tendencialmente, olham tudo de uma forma demasiado básica resumindo todos os desígnios á soma de 2 e 2.

“Mostrar” alguma coisa a alguém é saber do que se fala, caso contrário corre-se o risco de cair em ensinamentos esvaziados ou limitar-se a produzir o que se leu e não se viveu, nem se amadureceu. Mostrar uma vida destituída de essência, carecida de alma, de reflexão a quem está puro como as crianças tem as suas consequências. O mesmo que querer ensinar-lhes uma canção quando somos completamente desafinados.

Se lhes mostramos uma vida sem cor como podemos exigir que pintem o arco-íris? Se lhes dizemos que todos somos iguais como queremos que elas entendam que existem os sem-abrigo? Se evitamos dizer-lhes não como aprendem a perceber a importância do sim? Se lhes proporcionamos todas as comodidades como aprenderão a lidar com as contrariedades? Se não lhe falamos da morte como podemos falar-lhes da vida?

Nesta missão cuja responsabilidade pertence à família, à casa, depressa se complementa na escola que, nos primeiros anos, é sua parceira.

Ninguém conseguirá transmitir esse mundo se, eventualmente, não passou por ele e não vive nele. Pode-se ensinar bem matemática mesmo sendo uma pessoa com menos carácter mas ninguém conseguirá ensinar outro a ser educado se não conseguiu ver para além do que, socialmente, se aceita como boa educação.

 

 

 

 

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publicado por outraidade às 18:19

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