O tempo que vai passando, leva-nos para outra idade.

Domingo, 29 de Março de 2009

       

 

Estes tempos duma realidade que nos revolta as entranhas em que o descaramento passou a ser referência, em que se assumem delitos em nome de valores, em que deixou de ser vergonha arrecadar o que não lhes pertence, que tudo passou a ser verdade sem se saber se é mentira, que em nome de objectivos transparentes se sustentam os sombrios, que a escrita serve a oralidade incoerente, que se apregoam milhões aceites no meio de quem passa fome, é para qualquer ser normal uma ofensa.

            E eu, que já tenho idade para não me sentir desconsiderada com qualquer prosápia, sinto-me a servir este mundo de vaidades, com gente que me afronta cada vez que aparece, exibindo carros que contribuí para lhes comprar e mordomias que se não fosse eu não tinham.

            Não há política que resista a homens que, publicamente, demonstram falta de carácter, a partidos que se deixam dominar por poderes pérfidos, a justiça que se diz pressionada, a informação que se deixa envolver por deveres que não constam na sua deontologia.

            Não há sociedade que consiga erguer como bandeira preceitos que escorregam em baralhadas escudadas em nome duma natureza que ninguém entende a não ser que também esteja envolvido nela.

            Por favor não me ofendam mais, não tenham a desfaçatez de claramente me chamarem lorpa e, pelo menos, recatem-se enquanto o povo não acorda.

 

           

 

publicado por outraidade às 19:46

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Vamos indo e vendo, muitas vezes não querendo perceber o que nos mostram. Outra vez o “desaparecimento” de Madeleine, desta por divulgação do relatório das investigações. Deve tratar-se de documento da maior importância, considerando o fulgor da imprensa que nos toma por ignorantes e afirma que teve acesso à sua totalidade. Se assim é, mais um atropelo ao segredo de justiça, mas ouvindo-se encher a boca, isto é, as páginas dos jornais, até temos dúvidas se o dito relatório foi  mesmo espalhado para a imprensa…O relatório, que não passa de um resumo das investigações ou duma sinopse, como hoje tanto se utiliza, não pode reproduzir aquilo que a investigação não alcançou. Não é sequer uma parte obrigatória do inquérito. Os mais incrédulos desfolhem o Código de Processo Penal e procurem onde é que consta essa peça processual. Assim sendo, tem o valor que tem. Poupem-nos de tanta inocência!

 

Carjacking, dizem-nos na informação pública. Eis como classificam um assalto à mão armada ao ourives de Gaia. O que é que não sabem, o que é um assalto à mão armada ou o que é “carjacking”? As vozes do ofício político que andam um pouco embaralhados com o calor dos últimos dias,  atordoam-se com afirmações de conveniência, encravados pela santa ignorância…

 

Dois grupos étnicos desentenderam-se. Lisboa e Loures quer a resolução do conflito. Sucedem-se afirmações de radicalismo exacerbado, de conotações racistas e xenófobas, extremam-se posições pelo que se viu na televisão. Pois, a “multiópticas” faz descontos, não precisamos de andar ceguetas tanto tempo! As instituições públicas vêm a terreiro numa de conversações, apresentando opções, que corações! Amontoar pessoas, atribuir-lhes casas e rendimentos mínimos solucionam só alguns problemas. Pelos vistos, parcos remedeios duma integração social.

 

Ah, Sr. Bastonário, cuidado com essa emoção! Lá se vai a razão das verdades que diz saber quando a sensação fala mais alto. Comedimento não é sinónimo de transigência mas as palavras são como são. Sim quando fala do poder e do dever, sim quando fala das instituições e das corporações. Outras já não, quando se deixa desvanecer pela popularidade da linguagem. É que depois, o povo que ainda o escuta, deixa-se adormecer pela  toada tão linear do compasso.

A filarmónica lá da minha terra, toda a procissão toca a mesma…

 

Prometo, não vou por aí, assuntos tão sérios não se tratam assim.

Vá, só por esta vez, a minha ignorância foi um pouco atrevida.

 

 

 

publicado por outraidade às 14:14

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